Estreias

Vê estes cinco filmes portugueses que não são de Manoel de Oliveira

5 Junho 2019

Manoel de Oliveira (1908-2015) é, de forma praticamente indiscutível, o mais conhecido realizador português. Apostamos até que, se fizéssemos agora um daqueles vox pop da moda na rua, do tipo “qual é o realizador português que mais admira?” a maior parte das pessoas diria o nome do saudoso centenário do cinema português. Mas, claro está, nem só de Aniki-Bobó (1942) vive a sétima arte em Portugal e é exatamente nesse sentido que te queremos dar a conhecer cinco grandes filmes portugueses desta década, com atores, atrizes e realizadores portugueses, que não podem mesmo deixar de ser mencionados no teu vox pop interior.

Tabu (2012)

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“Aurora tinha uma fazenda em África no sopé do Monte Tabu”. Aurora era casada. E como as mulheres casadas dos anos antes dos anos da Guerra Colonial, Aurora não podia ter espírito aventureiro. Mas tinha de facto. E como em tantas histórias de amor inesperadas é com o aparecimento de um outro homem, um explorador, um aventureiro como aqueles Livingstones do século XIX, que Aurora descobre o seu verdadeiro eu. Ora tudo isto nos é dado a conhecer pela mesma Aurora, muitos anos depois, às portas da morte, que com as vizinhas comenta que lhe faz falta alguma coisa, uma coisa que guardou para si tantos anos, mas agora importa colocar cá fora. Papéis inesquecíveis das duplas Laura Soveral/Ana Moreira e Henrique Espírito Santo/Carloto Cotta [sim o mesmo que vimos recentemente no brilhante Diamantino (2018)], com prémios tão marcantes como por exemplo o FIPRESCI, da crítica internacional para o melhor filme em competição no 62.º Festival Internacional de Cinema de Berlim.

 

Bairro (2013)

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E por falar em Carloto Cotta, o ator volta a brindar-nos com uma participação simpática um ano depois numa espécie de Sicario (2015) à portuguesa, em que os protagonistas, Maria João Bastos e Paulo Pires, ainda que invertidos os papéis, ensaiam uma dança de gato e rato num bairro problemático de Lisboa, ela rainha do crime, armas, assaltos e droga, ele o polícia que a tem de prender mas com quem tem uma relação íntima. Neste mundo estranho do, lá está, bairro, onde matar para não morrer é uma regra mais ou menos consensual, as participações de outros atores portugueses de renome vão-se sucedendo (Julie Sergeant, João Lagarto ou Dânia Neto) e o que fica é um filme cheio de ação que promete entreter durante as quase duas horas em que percorremos esta teia. Conhecido também por ter coargumento do conhecido criminologista Francisco Moita Flores, o Bairro é um filme para apaixonados por ação com tiradas à grande vilão de Hollywood como a mítica “eu sou a mão que dá, eu sou a mão que tira” com que Maria João Bastos nos brinda.  

 

Capitão Falcão (2015)

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Um fenómeno de popularidade quando estreou, juras de que era baseado num super-herói real dos anos 60 e um elenco de chorar por mais, Capitão Falcão é uma delícia de originalidade alicerçada (não, não é contradição) em portentos culturais da televisão e cinema, como os casos das máscaras pretas e do sidekick asiático, Puto Perdiz [Green Hornet (2011)], um militar herói e patriota, Capitão Falcão [Major Alvega (1998), este sim herói de BD] e apontamentos de combate e diálogos épicos a lembrar fenómenos de culto como Big Trouble in Little China (1986). Numa clara sátira ao Estado Novo – afinal o nosso herói responde diretamente a António de Oliveira Salazar, numa interpretação brilhante de José Pinto, que diz comer “comunistas ao pequeno-almoço” – o filme presenteia-nos com a genialidade humorística de Gonçalo Waddington e a audácia física de David Chang Cordeiro para apimentar um argumento por si só brilhante a pedir, já, uma sequela (sem spoilers, ver por favor o final, finalzinho do filme).

 

São Jorge (2016)

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Gonçalo Waddington, que também faz uma perninha em S. Jorge, é aqui retirado para segundo plano pelo vencedor, na Secção Horizontes, do Leão de Ouro desse ano para Melhor Ator no Festival de Cinema de Veneza, Nuno Lopes. O prémio, dizemos nós que somos suspeitos, é mais que merecido, fruto da brilhante interpretação de um pugilista reformado, que vive no precário Bairro da Jamaica, em Lisboa (onde parte da ação foi, efetivamente, filmada) mas que, com a crise financeira, tem de aceitar trabalhar numa empresa de cobranças difíceis. Um retrato duro e sombrio da vida dos mais pobres numa capital da Europa, cuja pobreza aumentou com a austeridade – coisa que o ator fez questão de enfatizar na cerimónia de entrega do prémio. O filme, com a realização de Marco Martins, cuja colaboração com Nuno Lopes é efetivamente bastante produtiva – de Alice (2005) à série da RTP, Sara (2018) – é já um must see do cinema português, com uma crítica mais ou menos unânime da altura da estreia até hoje.

 

O Ornitólogo (2016)

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Uma colaboração luso-franco-brasileira. O Leopardo de Melhor Realizador em 2016 no Festival Internacional de Cinema de Locarno. Já por isso, mereceria a nossa atenção. Mas mais que isso. A trama de um ornitólogo perdido numa floresta, entre espíritos místicos e uma relação desenvolvida com um estranho em quem se tenta apoiar para descobrir o caminho para casa. Bem presentes as influências asiáticas do argumentista e realizador João Pedro Rodrigues [da curta China, China (2007) a A Última Vez Que Vi Macau (2012)] a que se junta a contagiante prestação do protagonista Paul Hamy, conhecido já por ter feito parte de um episódio da internacionalmente conhecida série Borgia (2011-2014) e ainda mais pela sua participação cinematográfica em 2013 no filme Elle s’en va, representando o caso de uma noite da atriz Catherine Deneuve. Um filme de detalhes, para ver com a calma que os mesmos merecem.

 

  • São Jorge / 10 segunda, 21:30
  • Bairro / 10 segunda, 23:30

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