Estreias

Quentin Tarantino: quando um verdadeiro cinéfilo também faz filmes

8 Agosto 2019

Quando vemos um filme de Quentin Tarantino, sabemos que estamos a ver um filme de Quentin Tarantino. É isto que faz um grande autor? Reconhecer imediatamente o seu trabalho? Provavelmente não é só isso, mas deve ser uma grande parte, e Tarantino é mesmo um dos grandes realizadores dos últimos 20 anos (quase queremos dizer que não fez um único filme que não seja incrível).

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O realizador, que vai estrear um novo filme ainda este ano com Era Uma Vez em… Hollywood (2019), é incomparável em tudo o que faz, ao ponto de já haver uma entrada no Oxford English Dictionary chamada “Tarantino-esque”, que descreve filmes com cenas estilizadas de violência, diálogo inteligente, narrativas não-lineares e referências cinéfilas em quantidade. E esta última característica dá-nos a pista que precisamos para compreender porque é que Tarantino é tão inimitável.

E Quentin Tarantino é inimitável porque passa a vida a imitar. Sim, isso mesmo. Quando lhe perguntam onde aprendeu sobre cinema, o realizador responde sempre a mesma coisa: com os filmes. Nunca frequentou uma escola de cinema e a sua única forma de aprendizagem foi ver filmes todos os dias, quando trabalhava num videoclube (sim, aquelas coisas onde se alugavam VHS). Com um conhecimento verdadeiramente enciclopédico de cinema e um fraquinho por géneros considerados “menores”, Tarantino descobriu o segredo para o seu sucesso: “roubar” histórias e cenas de filmes, dar-lhes o seu próprio toque e, assim, criar verdadeiras obras-primas do cinema.

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Não estamos a usar o termo “roubar” de forma pejorativa, calma! Tarantino é conhecido por apropriar-se de filmes de crime japoneses dos anos 70, spaghetti westerns, cenas icónicas da nouvelle vague ou do cinema clássico americano e recriá-las dentro do seu próprio universo, quase como se estivesse sempre a escrever a mais bela e elaborada e carta de amor à sétima arte.

O fato amarelo que Uma Thurmann usa em Kill Bill – A Vingança (vol. 1) (2003) é inspirado no fato que Bruce Lee usa em O Último Combate de Bruce Lee (1978), a cena de dança de Pulp Fiction (1994) espelha a cena de 8 ½ (1963), de Fellini, e o mexican stand-off de Cães Danados (1992) é copiado de Lung foo fung wan (1987), um filme de culto chinês.

Além desta capacidade de integrar várias cenas do nosso imaginário cinéfilo num filme que nos parece absolutamente novo, Tarantino também o consegue porque criou o seu próprio universo, a que chama The Realer Than Real Universe, onde se passam quase todos os seus filmes. Assim, todos eles estão ligados, seja por referências a personagens, seja por referências a locais ou objetos.

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Por exemplo, sabias que o Mr. Blonde de Cães Danados, cujo nome verdadeiro é Vic Vega, é irmão de Vince Vega, a personagem interpretada por John Travolta em Pulp Fiction? Ou que os cigarros que se fumam em Pulp Fiction são fumados também em Os Oito Odiado (2015), Kill Bill – A Vingança (vol. 1) e Sacanas Sem Lei (2009)?

Tudo isto consegue criar uma obra cinematográfica absolutamente fascinante, ao mesmo tempo familiar e estranha, que nos suga para dentro dos filmes de uma forma que faz com que saíamos deles verdadeiros fanáticos.

Se ainda não estás convencido, vê este vídeo que explica tudo, com o bónus de poderes ver as partes dos filmes para poderes verificar o que te dizemos:

Depois de saberes isto tudo, deixamos-te com uma boa notícia. No sábado vais poder assistir a Sacanas Sem Lei no Canal Hollywood, numa estreia bombástica e que te vai envolver numa história de guerra, espionagem e muito, mas mesmo muito, amor pelo cinema.

 

 

  • Sacanas Sem Lei / 10 sábado, 22:25

Já vistes estes cinco remakes polémicos que são tão bons quanto o original?

Já te falámos bastante de remakes aqui no blog do Canal Hollywood, e ainda não te tínhamos revelado alguns daqueles que achamos mais interessantes. Falha nossa, é claro, mas fica já resolvida.

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