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Quem tem medo do papão de Hollywood?

28 Novembro 2017

Rui Tendinha

Ouço muito aquele preconceito muito português contra filmes de Hollywood. Como se tudo o que viesse do cinema made in America fosse obra do diabo ou objeto menor. Um preconceito cada vez mais reinante depois de um certo eclodir do cinema mais autoral (mas que agora se apresenta pela hora da crise nas bilheteiras).

Este pé atrás que nasce de uma cultura cega anti-americana que renega uma possibilidade de apreciar novos autores e faz até com que se recuse o talento de Martin Scorsese em Silêncio. A alergia a Hollywood torna-se cada vez mais ridícula. Os “haters” do cinema mainstream americano ficam cegos. Cegos com os filmes que ganham consenso crítico (veja-se o que aconteceu com The Big Sick – Amor de Improviso, de Michael Showalter), zangados com aqueles que chegam aos prémios da Academia (talvez só aqui é La La Land, de Damien Chazelle e Moonlight, de Barry Jenkins são maltratados pela imprensa). É coisa que dura há muitos anos, uma espécie de perseguição pseudo-intelectual tão ridícula como inútil.

Pessoalmente, acredito que o cinema de grande estúdio americano ainda consegue fazer grande cinema.  Dou exemplos, a Warner, poderosa “major”, produziu o penúltimo Paul Thomas Anderson, a Universal apostou recentemente num cineasta fora do baralho como Tom Ford e a Fox atualiza franchises como X-Men e dá rédea solta a James Mangold para fazer um filme livre como Logan.

Vou até mais longe, acredito que a Marvel, para muitos o estúdio responsável por um constante decréscimo da qualidade dos blockbusters, não tem assim tantas culpas no cartório. Talvez seja verdade que os filmes dos super-heróis ficaram mais videojogos, mas quem apresenta grandes obras de entretenimento como Guardiões da Galáxia ou o último Thor terá sempre o meu respeito.

Não tenho medo dizer que continuo a gostar de filmes de Hollywood. Não preciso de pipocas para os consumir e sei que haverá sempre cineastas a despontar em Hollywood, por muita formatação que exista. Este ano, Hollywood consagrou Jordan Peele. Em 2018 vamos ter novos cineastas. A fábrica de sonhos não morreu.

Se vou ser  chacinado nas redes sociais portuguesas? Não me importo, barricar-me-ei na cave do Markl e farei maratonas da saga O Senhor dos Anéis ou dos Arma Mortífera. Ou, na melhor das hipóteses, posso ficar sempre no canal Hollywood na meu zapping diário.

 

 

Rui Pedro Tendinha, crítico e programador de cinema

 

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