Em Destaque

No início era o genérico: a arte de te apresentar o filme que vais ver

18 Dezembro 2018

No mês passado falámos-te no trailer, e agora falamos-te no genérico. Se um é aquilo que te faz querer ver um filme, o outro é aquilo que te apresenta aquilo que vais ver, desde o enredo às personagens. E o genérico é a coqueluche de muitos cinéfilos, que o estudam até à exaustão, desde o tipo de letra à música, passando pela imagem e pela sua montagem.

Entre os primórdios do cinema e os dias de hoje muito se passou. No cinema mudo o genérico era apenas uma forma prática e lógica de apresentar a informação de produção (a produtora, o realizador, os atores, etc.), mas hoje em dia é uma forma de aliar o design ao cinema, numa peça que muitas vezes vive por si só. Pensa só, não te aconteceu até já saíres do cinema ou desligares a televisão a pensares que o genérico foi a melhor parte do filme? Certo…

Mas agora, com um pequeno intervalo para veres um dos nossos genéricos favoritos, vamos à história!

 

 

O advento da televisão obrigou o cinema a mostrar-se em toda a sua diferença e grandiosidade, e aí nasceu o genérico como o conhecemos – uma forma artística de mostrar as histórias, as personagens ou o tom do filme. A partir daí, o curso tem sido natural, com designers que são tão famosos quanto os realizadores dos filmes nos quais trabalharam. Nomes como Saul Bass, que desenhou os genéricos de A Mulher Que Viveu Duas Vezes (1958) – Vertigo, na versão original – e de Psico (1960), de Hitchcock, começaram a entrar na história do cinema. Este designer começou a trabalhar com tipografia e formas, tendo criado um estilo que ainda hoje inspira muitos designers, como podemos ver no genérico de Monstros e Companhia (2001).

 

 

Nos anos 60, a ideia de que o look do design gráfico vindo da publicidade era o melhor para vender um filme transformou o genérico num conjunto de imagens que rapidamente se transformavam em logos, por vezes até de forma acidental. 007 Agente Secreto (1962) foi o primeiro filme a ter o elemento da mira da pistola, que ainda hoje em dia podes ver em todos os filmes de James Bond, e que foi criado por Martin Binder, enquanto a Pantera Cor-de-Rosa (1963), criada por Friz Freleng, começou por ser apenas uma interpretação do nome do filme homónimo, que é na realidade uma comédia policial.

 

 

Também nesta época a fotografia começou a ser muito usada, reforçando a ideia do cinema de autor que começou a popularizar-se à época. Pablo Ferro tornou-se bastante conhecido nesta altura, não só pelo uso da fotografia como pelo uso de uma técnica chamada multi-screen, onde vemos várias pequenas partes da história ao mesmo tempo no ecrã.

 

 

E, rapidamente chegamos aos anos 70, que viram um dos genéricos mais conhecidos de sempre, com a ajuda de técnicas computorizadas… O famoso arrastão da Guerra das Estrelas (1978) só foi possível com as novas tecnologias da altura, e ainda hoje influencia não só a cultura pop no geral, como muitas gerações de designers.

 

 

Já nos anos 80, a exuberância visual própria da década também foi vista na evolução do genérico. Estava muito na moda a técnica de montagem, que podemos ver no genérico de Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos (1988), que catapultou para a fama Juan Gatti e iniciou a sua colaboração duradoura com Pedro Almodóvar.

Os anos 90 viram a estética do grunge infiltrar muitas outras áreas, e em 1995 foi feito um dos genéricos mais revolucionários de sempre. Kyle Cooper pegou na mente tortuosa do vilão de Se7en – Sete Pecados Mortais (1995) e conseguiu interpretar esses caminhos num genérico que mistura várias técnicas que foram depois copiadas até à exaustão.

 

 

Entretanto, e com uma história tão longa e tão rica, o genérico já se estabeleceu como uma arte, e pode custar tanto a fazer como um trailer – sim, estamos a falar na ordem dos milhares de dólares. Com o crescimento do negócio da televisão e das plataformas de streaming, as séries também entram na equação e nos últimos anos alguns dos melhores trabalhos têm sido vistos nesta área.

 

 

Depois desta pequena viagem, diz-nos lá: quais são os teus genéricos favoritos?

Estrela do Mês – o percurso meteórico de Nicole Kidman do cinema à TV

Nicole Kidman não vai a lado nenhum e ainda bem. Sabemos que a nossa estrela do mês ainda não deu tudo o que tem a dar. De entre os mais de oitenta filmes que já fez, qual é o teu favorito?

18/12/2018 LER MAIS

Estrelas de Julho: apostas que sabes os pontos de contato entre elas?

As nossas estrelas de julho são muito diferentes, mas conseguimos perceber que têm várias coisas em comum. Consegues adivinhar quais são?

18/12/2018 LER MAIS

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *