Crónicas
Vanda Miranda
Locutora de rádio

O Sexto Sentido

26 Novembro 2018

Costumo dizer que gostava de sofrer uma espécie de amnésia em relação a este filme para poder vê-lo outra vez, sem me lembrar, lá está, do enredo, e ser novamente surpreendida tal como fui em 1999 quando o vi no cinema. Como sofrer dessa amnésia temporária e exclusiva a O Sexto Sentido não me parece que seja uma coisa que vá acontecer, vou mostrando o filme a quem nunca o viu (fi-lo, por exemplo, com a minha filha) e, espreitando pelo canto do olho, vou observando a reacção de quem está a experiênciar pela primeira vez este filme tão intenso escrito e realizado por M. Night Shyamalan.

O Sexto Sentido está classificado como um filme de terror psicológico. Pessoalmente prefiro classificá-lo como um filme de suspense. Do primeiro ao último minuto. Aliás, comecemos já pelo final. Aquele final! Dos melhores que o cinema de suspense já produziu! Mas voltemos ao início. Cole (Haley Joel Osment) é um menino que esconde um segredo dos que o rodeiam. Acaba por confessá-lo à mãe (Toni Collette), que fica ainda mais perturbada quando o filho, que ela já sabia ser “diferente” (o que são aquelas nódoas negras e aqueles arranhões que lhe aparecem, subitamente, no corpo?, porque é que ele não consegue dormir?) lhe diz que vê pessoas mortas.

Um psicólogo (Bruce Willis), também ele atormentado (todos temos os nossos fantasmas) parece ser a única pessoa com Cole se sente realmente à vontade para partilhar todos os seus segredos. Cole vê o mundo de forma diferente. No mundo de Cole, pessoas que já morreram andam no meio de nós. E muitas delas nem se aperceberam que já morreram. Conseguirá o médico ajudar Cole?

Se nunca viu O Sexto Sentido, vá já tratar disso. Mas, atenção, que a partir do momento em que o vir, é capaz de ficar, de vez em quando, com aquela sensação de que alguém está a observá-lo.

“I See Dead People”, umas das frases mais icónicas do cinema.

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