Crónicas
Pedro Granger
Actor

Cinema: Arma ou Vacina

23 Janeiro 2019

Podia ser uma obra de pura ficção mas infelizmente não é.

Já lá vão mais de 25 anos desde que as salas de cinema pelo mundo inteiro foram invadidas por aquele que será sempre um dos grandes filmes do cinema contemporâneo.

A Lista de Schindler, um filme que nos conta a verdadeira história de Oskar Schindler, um industrial membro do partido Nazi que acabou por salvar mais de mil Judeus naquele que foi um dos períodos mais horrendos, nojentos e macabros na História do nosso mundo. O Holocausto.

Passado um quarto de século, este filme que ganhou sete OSCARS™ (entre eles o de Melhor Filme e o de Melhor Realizador para Steven Spielberg), nunca foi tão importante de ver e rever como agora.

Nos dias de hoje, em que o mundo é inundado por populismos de direita e de esquerda, parece que o violino de Itzhak Perlman conduzido por John Williams ameaça soar outra vez, e um mundo que pode ser a cores corre o risco de voltar a ser a preto e branco como a fotografia deste filme.

Uma das coisas que os Nazis eram exímios a fazer (e quando digo exímios refiro-me à eficácia), era utilizar o Cinema como meio de propaganda do regime, manipulando a História, branqueando toda a atividade criminosa das SS de Himmler, incluindo o anti- semitismo contra Judeus e Ciganos, fazendo autênticas lavagens cerebrais que levaram aos resultados que todos nós conhecemos.

O Cinema, para o bem e para o mal, tem este poder. Conta histórias.

Goebbels, ministro da propaganda Nazi, soube usar o Cinema como poucos.

Spielberg, com esta Lista de Schindler, também “usa” a sétima Arte, mas com uma grande e importante diferença.

Ao contrário dos filmes encomendados por Goebbels, onde no final o que ficava era manipulação, ódio e terror, na Lista de Schindler de Spielberg o que fica é verdade, humanismo e esperança.

A Lista de Schindler é um documento vivo. Um filme que todos devemos ver para contrariar o “A história repete-se na História”, como se isto de tudo o que acontece de mal no mundo fosse um círculo impossível de travar, como se isto do “Se aconteceu, há de voltar a acontecer” seja um dado adquirido.

Tal como visitar o Yad Vashem em Jerusalém, o museu do Holocausto em Berlim, ou o que resta dos campos de concentração de Auschwitz na Polónia, ver (com olhos de ver) A Lista de Schindler, é um autêntico terramoto de emoções que mostra o lado mais obscuro que este bicho de seu nome ser humano pode ter.

Hitler usou o cinema como uma autêntica arma, Spielberg, com este filme, usou-o como uma autêntica vacina que todos devemos tomar para nunca nos esquecermos que há coisas em que a história não se pode repetir na História.

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