Atualidade

A Herdade, um filme português que pode chegar aos OSCARS™!

23 Setembro 2019

O filme português A Herdade (2019) fez a sua estreia no afamado Festival Internacional de Cinema de Veneza e da melhor maneira, já que valeu a Tiago Guedes – realizador da longa-metragem – o Prémio Bisato d´Oro para melhor realização.

Seguiu-se o Festival de Toronto onde também foi selecionado para a secção Special Presentations, uma estreia para o nosso país, o que comprovou a sua aclamação pela crítica.

Depois deste começo com o pé direito, será possível continuar a sonhar alto com uma presença portuguesa, pela primeira vez na História, na próxima cerimónia dos OSCARS™?

Produzido por Paulo Branco, com argumento de Rui Cardoso Martins e Tiago Guedes, A Herdade é o filme português candidato a uma nomeação da Academia e ainda aos Goya (prémios atribuídos anualmente pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas de Espanha).

Um verdadeiro orgulho para Portugal, que está a dar projeção internacional ao nosso país, mostrando que por cá também se faz cinema capaz de competir ao mais alto nível.

N’ A Herdade (2019), Albano Jerónimo dá corpo a João Fernandes, um reconhecido latifundiário da zona do Ribatejo, responsável pela gestão daquela que é uma das maiores propriedades da Europa.

A ação tem lugar num alargado espaço temporal, percorrendo a vida na propriedade e do país, desde os anos 40 até à atualidade.

Com o filme, visitamos um Portugal que nos é familiar, mas ao mesmo tempo distante, observamos o comportamento de uma sociedade que transita de um regime ditatorial para uma democracia, com todas as suas implicações.

E conhecemos a realidade de uma família abastada, encabeçada pelo carismático, mas austero, João Fernandes, que divide o protagonismo e o ecrã com uma prestação à altura da atriz Sandra Faleiro.

Sandra interpreta Leonor, a esposa de João e uma mulher submissa e silenciosa, que cresceu no seio de uma família conservadora e também ela rígida.

A sua postura no casamento é o reflexo desse condicionamento e educação, sendo o que dela é esperado, uma mãe preocupada e uma esposa ensinada a não questionar a vontade do marido.

A Herdade_ cena do filme

Fonte da Imagem

No entanto, tal como João, a personagem de Leonor vai-se revelando e transformando em algo maior.

Enquanto nos sentamos a assistir, não podemos evitar questionar-nos do que leva esta mulher a permanecer numa situação de quase tortura emocional e numa relação em que é relegada para último plano.

Uma das preocupações fundamentais dos criadores do projeto foi a de criar personagens tendo por base a imperfeição, retratar a humanidade com tudo o que tem de bom, sem deixar de parte as falhas.

A personagem de Albano Jerónimo tem várias camadas, podia facilmente ser um clássico vilão, um homem de mau carácter, autoritário e sem qualquer respeito pelos que o rodeiam, mas não foi isso que se pretendeu.

Mesmo na sua relação com a mulher – em algumas cenas houve lugar para pequenos gestos de carinho – se prova que ninguém no mundo real é fundamentalmente mau nem bom, há sempre alguma ambiguidade intrínseca.

Outra característica do filme A Herdade (2019) é o facto de se encontrar pautado por silêncios, impostos e respeitados por Albano, que faz um dos papeis da sua carreira.

Numa entrevista, o ator fez uma analogia entre o filme e a música de Miles Davis, o trompetista e compositor de jazz norte-americano, em que os silêncios contribuem para a harmonia e beleza do resultado final. Também na sua interpretação é o que fica por dizer que acaba por enriquecê-la.

A Herdade_cena do filmeFonte da Imagem

Não podemos terminar sem deixar de destacar o restante elenco do qual fazem parte Miguel Borges, Ala Vilela da Costa, João Vicente, João Pedro Mamede, Rodrigo Tomás, Beatriz Brás, Diogo Dória, Ana Bustorff, Victoria Guerra, entre outras caras conhecidas dos nossos ecrãs e que em tudo contribuem para o sucesso do filme.

Depois de assistires a A Herdade (2019), vais levar para casa muitas perguntas por responder!

Mas também a sensação de teres assistido a um filme que, além de retratar uma altura-chave do país, o consegue de uma forma tão elevada que se supera e ergue acima de tudo isso, e que vale muito a pena ver.

Sem dúvida uma das grandes estreias do ano!

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